BLINDAGENS MODERNAS NO BRASIL


Nicola Henrique Monaco
Consultor técnico de compostos avançados
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Exclusivo para o UFJF/Defesa


 

 

          O nível de blindagem mais utilizado atualmente no Brasil é o IIIA, que protege a carroceria e os vidros dos veículos contra projéteis dos calibres 22, 38, 380, 9mm, 357 magnum e 44 magnum.

          As blindadoras dividem a blindagem em parte opaca(carroceria)e parte transparente (vidros).

          Os materiais aplicados na parte opaca são o aço inox 304L com espessura de 03mm , fabricado pela Acesita (colunas e réguas do teto) e manta balística fabricada por várias empresas tais como Gepco, Verseidag, S-Line, G5,entre outras,com 08 à 12 camadas de tecido trançado fabricado com fios de fibra de aramida conhecida como Kevlar (marca registrada da Dupont) ou Twaron (marca registrada da Teijin Co. ), que podem ser fabricadas por vários processos (forno de autoclave, prensagem hidráulica a quente, prensagem hidráulica a frio, etc).

          Já na parte transparente, geralmente são aplicados vidros balísticos com 21mm de espessura, fabricados com 3 ou 4 camadas de vidros laminados,intercalados com um filme de PVB (Polivilbutiral) e com uma ultima camada de policarbonato, fabricados pela Gepco, BGP, Protechtor,entre outras.

          A blindagem nível III (para projéteis 7.62 x 51mm FMJ, fuzil Fal) e nível B6 da norma européia EM (para projéteis 5.56 x 45m FMJ , fuzil AR 15) são mais utilizadas nos veiculos de transporte de valores. Geralmente material utilizado na parte opaca destes veículos é o aço SAC-50 com 6mm de espessura na parte externa da carroceria e, mais um aço 1020 de 06mm na parte interna da carroceria; na parte transparente é utilizado um vidro balístico com 41mm fabricado pelo mesmo processo do vidro para o nível IIIA.

          Na área militar, foram utilizados aços cladeados, com uma camada de alta dureza na parte externa e uma camada de alta tenacidade na parte interna e outros aços laminados com durezas entre 450 e 500HB que foram fabricados pela Usiminas e houve até algumas experiências com cerâmicas de alumina de fabricação nacional. Após o “desmonte” da indústria bélica nacional não houve interesse por parte de nenhuma empresa nacional de se desenvolver ou fabricar materiais para serem aplicados em blindagens militares.

          Em 2001 começou a ser desenvolvido no Brasil vários compostos avançados que utilizam pastilhas de cerâmica de alta alumina com mantas de kevlar encapsulados com fibra de vidro e resina epóxi, pastilhas de cerâmica de alta alumina com aço inox, com aço carbono,entre outros.

          Neste tipo de blindagem, a pastilha de cerâmica absorve toda a energia cinética do projétil, estilhaçando o mesmo, e a camada posterior de kevlar ou de aço “segura” todo o impacto.

Paniel balístico commando-cerâmica Kevlar nível IV. Foto autor.

          A maior vantagem dos compostos avançados em relação as blindagens em aço são o baixo peso, em média de 36kg x m², contra 100 / 120kg X m² da blindagem utilizada nos veículos de transporte de valores, além de resistir a perfuração dos projéteis com ponta perfurante (AP / Armor Pierce).

          Estes compostos balísticos são de concepção 100% nacional e seu custo chega a ser até 40% menor que os dos similares importados.

          Acredito que com a provável revitalização da indústria bélica nacional (projeto fênix / repotencilização das blindagens dos tanques URUTU e CASCAVEL, a fabricação do PATRIA 8x8 pela IMBEL,o kit de blindagem amovível para a Viatura Tática Leve de Reconhecimento/ Land Rover Defender 110 militarizado) estes compostos avançados “Made in Brazil” serão amplamente valorizados.