UMA REALIDADE COLOMBIANA
BOMBAS GUIADAS A LASER NA AMÉRICA DO SUL

         Roberto Portella Bertazzo, Pesquisador de Assuntos
Aeronáuticos, Membro da Associação Latino-Americana de Historiadores Aeronáuticos, Bacharel em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora.
 

 

 

 

          O conceito do uso de bombas guiadas a laser foi sugerido pela primeira vez em 1965 por Weldon Word, que trabalhava na companhia Texas Instruments, nos Estados Unidos.

          Pela primeira vez pensou-se em utilizar o laser não como uma arma em si, mas como um sistema de guiagem para armas. O armamento guiado por laser redefiniu o velho princípio da doutrina de bombardeio em massa, já não era necessário atacar um alvo com uma enorme quantidade de bombas para que só algumas delas acertem o objetivo, bastava somente uma LGB (Laser Guided Bomb) para se destruir qualquer alvo com precisão.

          Desenvolvido no final da década de sessenta, o sistema de bombas guiadas por laser foi muito empregado pelos americanos no Vietnã (1965-75), onde foram lançadas mais de 25.000 com 68% de acerto.

          Um dos mais famosos ataques foi lançado contra a ponte de Thanh Hoa, em maio de 1972. Esta ponte havia resistido a inúmeros ataques convencionais, até ser destruída em um ataque que empregou quatorze jatos F-4 Phanton, armados com bombas laser.

          Na América do Sul, a primeira vez que se empregou bombas guiadas a laser, foi em 1982, durante a Guerra das Malvinas, quando aviões ingleses Harrier MK3 da RAF atacaram posições argentinas nas ilhas.

          Entretanto, o primeiro país sul americano, a empregar este tipo de armamento em combate, foi a Colômbia. Em sua luta contra as forças terroristas que já dura várias décadas, a Força Aérea Colombiana, constantemente atualizada, e necessitando de uma precisão cirúrgica, optou por empregar este tipo de armamento.

          Para empregar as LGB, a Força Aérea Colombiana utiliza o sistema CLDS (Cockpic Laser Designator System) que é instalado em um avião biplace, normalmente um Mirage 5COD, enquanto que a plataforma de lançamento é um Mirage 5COA e seu funcionamento consiste que a bomba deva ser lançada dentro de uma área imaginária para assegurar que atinja o alvo com precisão. Suas aletas móveis modificam ligeiramente a trajetória de vôo, o que permite uma grande precisão no ataque a um alvo de alta ameaça, obrigando a aeronave a permanecer fora do alcance do armamento antiaéreo do inimigo durante as fases de designação e lançamento.

Mirage 5COA da FAC taxiando para a missão, armado com bombas GRIFFIN guiadas a laser.
Crédito da foto: Fuerza Aérea Colombiana

Detalhe de um Mirage 5COA da FAC com duas bombas GRIFFIN sob a fuselagem.
Crédito da foto: Fuerza Aérea Colombiana


          Quando em fevereiro de 2002 o presidente Andrés Pastrana ordenou a retomada da zona de distenção, então sob domínio das FARC, as forças armadas da Colombia ativaram o “Plano TH”.

          A primeira fase deste plano foi uma campanha aérea realizada pela Força Aérea Colombiana através do Esquadrão de Combate 112, equipados com Mirage 5COD e COA. Após receber as ordens de destruir vários alvos localizados e selecionados pelos serviços de inteligência, partindo das coordenadas e fotografias destes alvos, foi elaborado um planejamento quanto aos melhores ângulos de designação e de entrada, com base em cálculos de combustível, e a seguir foram prontamente executados.

          Durante o ataque, a bomba foi lançada por um avião monoplace, atuando como designador, no caso um Mirage 5COD, orbitando ao redor do alvo. As bombas lançadas foram a GRIFFIN, fabricada em Israel pela IAI. Ela incorpora um conceito muito simples por se tratar de uma espécie de kit que se adapta às bombas convencionais do tipo MK80 e derivados.

Bomba guiada a laser israelense GRIFFIN.
Crédito da foto: IAI
Mirage 5COD, biplace, da FAC. Este avião é usado para identificar o alvo.
Crédito da foto: Fuerza Aérea Colombiana


          Nestes ataques da Operação TH, trinta e um aviões foram empregados, além dos Mirage 5, foram usados os IAI KfirC7, Cessna A-37, Embraer T-27 Tucano e OV-10 Bronco, que lançaram 483 bombas de diversos tipos.

          Quanto aos Mirage 5 colombianos, apesar de terem cumprido mais de 30 anos de operação (os primeiros foram recebidos em 1972), passaram por várias modernizações que os capacitaram a empregar bombas guiadas por laser e seus pilotos a utilizarem capacetes de visão noturna. Sua aviônica foi muito atualizada, acrescentando uma nova seção dianteira na fuselagem, com ajuda Israelense, além de receberem sondas para reabastecimentos em vôo e aletas canard, que melhoram em muito o seu desempenho.

Celebração dos 30 anos do emprego de aviões Mirage 5 na Força Aérea Colombiana em 2002.
Crédito da foto: Fuerza Aérea Colombiana
Mirage 5COA em vôo armados com bombas GRIFFIN pronto parta a missão.
Crédito da foto: Fuerza Aérea Colombiana


          Os Mirage, juntamente com os Kfir da FAC estão baseados na Base Aérea Palanquero, e subordinados ao Comando Aéreo de Combate 1, e tudo indica que continuarão ainda por um bom tempo a prestar bons serviços no combate à guerrilha das FARC e na defesa do país.