EMPRESAS ISRAELENSES VÃO MODERNIZAR BLINDADOS
BRASILEIROS DA EXTINTA ENGESA NO EXTERIOR

          

         Em 04 de fevereiro de 2003 publiquei um artigo no site Defesa @ Net intitulado “DESENVOLVIMENTO DE BLINDADOS SOBRE RODAS NO BRASIL – I – Do repotenciamento do M-8 Greyhound ao Cascavel Mk II”(http://www.defesanet.com.br/rv/vtrbld1/vtrbld.htm) e na conclusão informava:

                  “O curioso é que em pleno ano de 2002, uma empresa israelense comprou do Exército Chileno 70 (setenta) EE-9 Cascavel Mk II e 31 (trinta e um) EE-11 Urutu que foram para lá exportados entre 1974 e 1976, juntamente com grandes lotes vendidos para Líbia (400 EE-9 e 40 EE-11)...
                  Sem dúvida as perguntas são muitas, mas as respostas teremos que aguardar e ver o que realmente irá acontecer com estes produtos ‘Made in Brazil’ que se recusaram a morrer, vamos aguardar e ficar atentos que os localizaremos em breve...”


         Em 11 de março do mesmo ano e no mesmo site publiquei outro artigo intitulado “PRODUTOS ‘MADE IN BRAZIL’ – AS EXPORTAÇÕES DA ENGESA E SEUS REFLEXOS NA ATUALIDADE” (http://www.defesanet.com.br/rv/engesa/export.htm) onde mencionava:

                  “Outra prova importante de que os blindados sobre rodas da Engesa ainda podem representar algum valor é o fato recente da empresa NINDA CORPORATION LTD, uma empresa privada com 100 empregados e que realiza projetos de modernização, integração e refabricação de veículos militares de procedência britânica, francesa, russa e agora brasileira, cujos principais projetos foram a modernização de carros de combate Sherman, T-72, M-60, T-55, M-41 além de veículos de transporte de tropas, veículos blindados anfíbios e caminhões, ter adquirido do Exército Chileno 70 EE-9 Cascavel Mk II e 34 EE-11 Urutu.
                  Empresas brasileiras participarão em conjunto com a NINDA na recuperação destes veículos, para torna-los operacionais e dar-lhes um destino, o mesmo irá ocorrer em outras partes do mundo, agora é só aguardar...
                  A Engesa estava no caminho certo, tinha problemas sérios de administração e gerenciamento, que poderiam ter sido sanados, mas o nosso maior erro foi a falta de visão estratégica que permitiu que ela desaparecesse por completo, tendo sua falência sido decretada em 1993 e boa parte do conhecimento ali desenvolvido foi perdido de vez, inviabilizado no momento atual, sem volta. Muitos projetos poderiam ter continuado, outros cancelados de vez, e hoje estaríamos substituindo o nosso maior e melhor projeto de concepção nacional que foi o EE-9 Cascavel por um outro produto melhor concebido e desenvolvido por brasileiros, gerando empregos e divisas para o país e até quem sabe exportando-os.”

         Hoje a realidade é bem diferente, estamos gerando empregos em Israel e ainda vamos perder o repotenciamento dos veículos vendidos a dezoito países, pois as poucas empresas sobreviventes e alguns remanescentes do passado podem perder de vez esta fatia de mercado, pois irão concorrer com gente que possui uma vasta experiência nesta área e está ávida por ocupar mais esta fatia do mercado.

          A empresa israelense SAYMAR Ltd., acaba de desenvolver diversos itens para modernização dos veículos blindados sobre rodas EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu e já apresenta fotos do EE-11 modernizados e com armamento novo, dentre os diversos itens que incluem deste optrônicos a conjuntos de armamentos modernos

Logo da Empresa Saymar Ltd.
EE-11 Urutu APC ex-Chile modernizado. (foto Saymar Ltd)


          Além desta empresa uma outra a SOLTAM Ltd., oferece um morteiro autopropulsado de 120mm para ser montado sobre veículos blindado leves e pesados como um EE-11 APC 6x6 Urutu a um LAV 8x8 Stryker.

EE-11 Urutu com torre AAe. (foto Saymar Ltd)
EE-11 Urutu porta morteiro da Soltam Ltd. Morteiro Cardom de 120mm. (foto Soltam Ltd)

          Nenhuma empresa brasileira fará parte disto, mas já é possível ver em revistas especializadas e na própria internet diversas informações acerca destes novos empreendimentos desenvolvidos pelas Indústrias Militares de Israel visando um vasto e importante mercado na América do Sul, África e Oriente Médio, onde a maior parte dos veículos militares brasileiros foi vendido e grande parte ainda existem, precisando serem modernizados, além de oferecerem os blindados ex-Chile que se encontram à venda pelas empresas que os adquiriram.

         Nada do que estão fazendo é ilegal apenas possuem uma visão e uma disposição que nos tem faltado a algum tempo, isto sem falar que são apoiados por seus governos que os estimulam a atender ao mercado interno de Defesa e gerar recursos para serem reaplicados nas próprias empresas.

         Até quando vamos continuar repetindo os erros do passado, pois estamos indo a passos largos para a total dependência externa nesta área tão vital e incompreendida que é a Defesa Nacional.

         Vamos assistir em breve o fim de nossa Indústria de Material de Defesa e não será espanto se viermos a ser clientes destas empresas e através delas concretizarmos o que se iniciou há alguns anos no Arsenal de Guerra de São Paulo com o repotenciamento de EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu que está a passos de tartaruga em razão da eterna falta de verbas e a curta visão estratégica que nos tem afetado ultimamente, pois não conseguimos levar adiante e concluir importantes idéias que surgem e morrem rapidamente dentro da Força Terrestre Brasileira, aliás, o privilégio não é só dela, atinge as outras e também ao Ministério da Defesa...

         Precisamos ter uma visão estratégica que nos faltou nos anos dourados das décadas de 70 e 80 e compreendermos que produzir material de defesa não é crime e não faz mal à sociedade, visto que se conseguirmos dominar pontos importantes nesta área ela trará enorme benefícios a todos, desenvolvendo tecnologias sensíveis que os países mais desenvolvidos não querem e não podem nos transferir e aí sim poderemos dar um passo importante para formarmos um bloco sul-americano com grande capacidade de barganha nas relações internacionais onde o peso político, econômico e militar podem delimitar cenários mais positivos à região, tornando-a muito mais independente sobre todos os pontos de vista e dando a devida dimensão que ela merece no cenário mundial...